2013
PMR; Island Records
Poucos conseguem fazer um debut de altíssimo nível e pouquíssimos conseguem produzir um debut de altíssimo nível sem muitas inovações. Essa tarefa difícil, para não dizer impossível, foi cumprida pelo Disclosure com Settle, que agora vira o mundo da música eletrônica do avesso. Ou melhor, faz ser como era antes.
Em um universo repleto de drops, loudness war e rosnados sintetizados, os irmãos Guy e Howard Lawrence voltaram no tempo e resgataram a alma do house britânico noventista e, de certa forma, aliviaram as playlists das casas noturnas. Dá para perceber com o tempo que a música eletrônica desenvolveu ritmos mais fortes e mais pesados que costumava ter. Isso fica mais evidente em subgêneros como trance, drum and bass e dubstep. Claro que não há problema em dar aquela forçadinha nas produções, mas tudo em excesso faz mal.
A faixa inicial ("Intro") já mostra a proposta do álbum: ser leve, mas sem perder a presença. "Defeated No More" é outro excelente exemplo. Com participação especial de Ed Macfarlane, vocalista do Friendly Fires, a música é mais plana, não tem aquele desenvolvimento que Avicii, David Guetta e Swedish House Mafia tanto mostram. No fundo, essa é a proposta de boa parte da house music, criar um ambiente calmo, envolvente, suave e transcendente. Em praticamente todas as faixas, você pode se imaginar na noite, tanto no aquecimento para a balada quanto na própria balada. "Stimulation" pode ser considerada uma exceção. Ela destoa um pouco do resto da obra. Você pode usá-la na academia. "Grab Her!" também destoa. Embora mantenha o espírito do house, possui elementos diferentes do restante do disco.
Já "Latch" mistura a imposição dançante da música eletrônica com a emoção e o romantismo do soul. Sam Smith faz belíssima participação com os vocais. Ele e os outros convidados de Settle foram muito bem escolhidos. Suas atuações tornam o álbum ainda mais brilhante. São 14 faixas produzidas com extrema excelência. Pelo menos na versão original. Juntando os remixes de outros artistas e as versões alternativas, temos a edição especial com 37 faixas.
"January" e "Confess to Me" poderiam muito bem ser uma música só. Não dá para escutar uma e pular a outra. E para fechar, "Help Me Lose My Mind" cria aquele clima de fim de festa. Está quase amanhecendo e você se lembra que tem de ir para casa. Você pode não gostar disso, mas, durante o caminho da volta, vai se lembrar de quão boa foi a noite. Essa faixa dividirá opiniões, pois se trata de um álbum bastante animado.
Para quem conhece e/ou viveu os tempos da house music, especialmente a vertente da deep house, Settle é uma viagem no tempo. É como se os irmãos Lawrence tivessem composto e gravado o álbum nos anos 90 com recursos atuais. Trata-se de um aperfeiçoamento do movimento que dominou as casas britânicas e algumas americanas, principalmente as de Chicago e San Francisco. Se está na lista dos melhores de 2013, não é à toa. E se for o primeiro colocado, não será uma surpresa.
P.S.: Se puder, escute a versão deluxe de 18 faixas. As quatro que ficaram de fora realmente valem a pena.
9.3
O show deles no Lolla foi uma grata surpresa, me senti mesmo em um túnel do tempo (Afinal eu vivi essa época mencionada), mas não ouvi o disco inteiro ainda, o farei logo, aí comento a respeito!
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